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Da mesma forma que nos preocupamos em tornar a nossa casa de concreto num lar, também precisamos dispensar essa atenção às nossas emoções (mente).

No capítulo 9, artigo 37 do estatuto do idoso está descrito que:

“O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada”.

Ou seja, ter uma moradia é um direito da pessoa idosa. E de acordo com gerontólogos e fisioterapeutas, o cuidado com a casa lar é necessário para promover a saúde e o bem estar físico da pessoa idosa.
Esses cuidados vão desde colocar corrimãos nos corredores e espaços que precisem de um apoio fixo, até mudar a mobília para adequar a altura da cama ou do sofá, pois, para uma pessoa idosa, levantar é uma tarefa que exige maior força muscular.
Além disso, existem várias outras orientações que são essenciais. Por exemplo, retirar tapetes, colocar fitas antiderrapantes em locais que apresentem perigo de queda, deixar tudo ao alcance das mãos, evitar deixar objetos largados, etc…
De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que uma em cada três pessoas com mais de 65 anos sofre uma queda, e dentre essas pessoas, uma em vinte sofre uma fratura ou necessita de internação. Só com essa informação é possível notar a relevância desses cuidados. Com o envelhecimento, vivemos alterações fisiológicas que podem ser fatores que predispõem quedas, e as complicações resultantes delas representam boa parte do impacto na qualidade de vida dessas pessoas.
Ao pensar na casa lar, as pessoas costumam ter sonhos e desejos em relação a ela. Seja o de uma casa grande e arejada, ou um casa que tenha muitas janelas e flores, ou até aquela casa que acolha toda a família num domingo de sol, enfim… Ah, e quando a pessoa vai receber um bebê em casa? Nesse momento, a casa é toda revisitada e acontece uma mudança quase que total. As tomadas são tampadas, as partes que têm ponta são cobertas ou arredondadas de alguma forma, colocam portões ou grades em lugares que representem perigo de queda, dentre tantos outros cuidados. E assim também precisa ser com a chegada da velhice. A casa não receberá um novo membro, mas quem mora ali desperta para uma nova fase, e é preciso que a casa também seja adaptada de acordo com as novas necessidades.

Supondo que a casa-lar esteja em ordem, e pensando em tudo que foi dito até agora, passemos para a casa interna.
Quando uma pessoa tem aquele ímpeto de arrumar a casa, pode ser que esteja difícil lidar com a falta de controle que a realidade impõe. Por isso, de forma mais concreta, arrumar a casa promove a sensação de estar no controle, promove um certo nível de satisfação da mente e acaba por amenizar um pouco a ansiedade, inclusive porque libera a endorfina (conhecido como o hormônio da felicidade). É claro que tudo precisa ser visto individualmente, já que cada pessoa tem uma vivência. E quando falamos em pessoas idosas, é importante lembrar que essas casas internas já passaram por diversas mudanças. Quantas coisas já viram e viveram os mais velhos! A pandemia pode ser uma novidade para os mais jovens e algo inimaginável em outros aspectos. Mas, se você pensar bem, os idosos já passaram por guerras, doenças e outras situações de vulnerabilidade e risco extremo. E, exatamente por isso, é que muitos são resilientes e tem uma visão mais positiva em relação ao contexto atual.
Além de tudo isso, esses cuidados são exatamente para que as pessoas idosas possam desfrutar da própria casa e, ao mesmo tempo, manter a mente saudável. Essa é também uma forma de fortalecer a autoconfiança e apropriação de si e das ferramentas psíquicas disponíveis para uma melhor elaboração dos sentimentos. Pois quando a pessoa é capaz de realizar tarefas, mesmo que pareçam simples, sua autoestima aumenta, a confiança em si também, e o sentimento de capacidade favorece a sensação de bem estar geral.

Então, pensando nas pessoas idosas, ou nas que um dia serão, é importante refletir sobre essas mudanças, que se fazem necessárias tanto interna quanto externamente. A soma desses cuidados resultará numa boa manutenção para o equilíbrio do corpo e da mente.

 

Michelle Perez Alves Xavier

Psicóloga

CRP 06/129104

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