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“Tenham fé no seu próprio inconsciente, nos seus próprios sonhos. Se quiserem aprender com eles, então trabalhem com eles. Vivam com os símbolos de seus sonhos como se fossem companheiros físicos na vida cotidiana. Descobrirão, se o fizerem, que eles são realmente seus companheiros no mundo interior” (Johnson, Robert A., 1989).

O inconsciente utiliza da imagem como linguagem de comunicação com o consciente. O sonho pode ser comparado a uma tela de cinema onde as imagens, investidas de energia, são projetadas.

Algumas considerações:

– várias personalidades coabitam o nosso espaço interno, como estruturas interiores autônomas (com características particulares auxiliando em diversas direções) que compõe o self. É perfeitamente adequado que sejam simbolizados como pessoas em nossos sonhos.

– arquétipos: padrões preexistentes na psique da raça humana que atuam nas psiques individuais.  Imagens primordiais e inerentes na espécie humana, constituindo substratos universais com significados comuns a toda raça e cultura, captados pela individualidade.

– a energia arquetípica aparece na mente consciente como pares de opostos complementares, incluindo a dicotomia masculina e feminina. O inconsciente, como padrão, escolhe a figura do sexo oposto para representar o ânimus na mulher e a ânima, no homem.

– individuação: movimento em busca da conscientização do self total. (Johnson. R., 1989)

– self: princípio da integração. Aparece nos sonhos com símbolos específicos, tais como mandalas, círculo, quadrado, diamante, quaternidade (tudo o que envolve o número 4), representando o potencial para a mais alta consciência, a unidade e totalidade do ser.

– sombra: usualmente, aparece com o mesmo sexo do sonhador. Por ter características tanto negativas como positivas, mas rejeitadas ou não assimiladas pelo ego, traduz nos sonhos a relação do sonhador com as suas sombras – amigo/companheiro, se existe a disposição em crescer/aprender com a sombra; inimigo, se existe a repressão, vergonha/dificuldade de aceitar alguma parte de si.

Johnson propõe o trabalho com os sonhos em 4 etapas sequenciais:

ASSOÇIAÇÕES

Anotar todas as imagens que aparecem no sonho, começando pela primeira e fazer associações diretas* com tudo e qualquer coisa que, espontaneamente, surgir na mente. Algumas perguntas possíveis: Que sensação me dá essa imagem? Que palavras ou ideias me veem a mente quando a vejo? Dentre todas as que surgirem, é preciso sentir qual está investida da energia que ‘toca’ ou ‘mexe’. Exemplo: sonho com sala cinza. Fazer todas as associações com esta palavra e eleger a que fez o estalo, supondo que seja ‘depressão’.

*cada associação/expressão retorna a imagem original, fazendo com ela nova associação. 

A DINÂMICA

Voltar a cada imagem do sonho e conecta-la com uma dinâmica interior específica, ou seja, qualquer coisa que aconteça no mundo interno (evento, emoção, sistema de energia, conflito…) para identificar como esta imagem se relaciona com uma parte real do sonhador . Anotar cada resposta às possíveis perguntas: que parte de mim ela é? Onde a vi em ação (ultimamente) na minha vida? Onde já vi este traço na minha personalidade? Quem é que, dentro de mim, sente desta forma ou se comporta assim? Exemplo: procurar pelo aspecto ‘cinza’ na dinâmica interior – onde este aspecto triste está em mim? Com que estou melancólico? Onde estou sofrendo depressão? Que está acontecendo dentro de mim que este sonho está relatando?

É importante anotar, algo físico deve acontecer. Assim, as conexões com o sonho se tornam claras e definidas. O objetivo do sonho é acompanhar a individuação. Eles podem mostrar um esforço para integrar à consciência partes do inconsciente ou a resistência contra o self interior.

Uma forma prática de estabelecer essa relação é se perguntar que características se têm em comum com a imagem sonhada: quais as principais características da pessoa do sonho? Como você descreveria seu caráter e personalidade? Onde se encontram essas características em você? Sonhos são espelhos que refletem a nossa imagem interior.

Para conectar partes internas, uma boa maneira é pensar em cada figura do sonho como uma pessoa vivendo dentro de si. Onde vi essa pessoa agindo em minha vida ultimamente? Onde, em minha vida, eu a vi fazendo o que fez no sonho? Qual parte de mim pensa/sente/age assim?

Saindo das imagens representadas nas pessoas, sonhos mostram formas, lugares etc.. Sendo um lugar, então é um lugar dentro de si mesmo, que pode ser localizado, com o intuito de se perguntar de quem é o chão aonde se pisa. Exemplos de possíveis significados:

– casa da avó: esfera de influencia da grande mãe

– minha casa: a casa do ego, campo da consciência o ego, feita do que sabemos, conhecemos, com as paredes que protegem do inconsciente. Se a casa for invadida, pode ser que o mundo do ego está sendo invadido por forças do inconsciente.

– país controlado por ditador: você está sob controle da sua ânsia de poder.

– terra abençoada: experiência de harmonia do self com a sabedoria


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– animais: instinto ou consciência animal que vive em alguma parte de você. Assim como com pessoas, os animais também têm características, com conotações positivas e negativas, que devem ser identificadas. Em geral, um pequeno detalhe no sonho revela qual conotação está sendo representada. Um luta com animal ameaçador pode ser um conflito de necessidades entre uma parte instintiva e outra civilizatória. Nas aparições míticas, podem representar os grandes arquétipos ou estágios mais elevados de consciência e espiritualidade.

AS INTERPRETAÇÕES:

Reúne todos os significados extraídos dos sonhos em um quadro unificado ou, ainda, é a união do sonho em uma mensagem completa. Perguntas: qual é a mensagem central, o ensinamento, a mais importante que este sonho está tentando me transmitir? Qual o significado deste sonho para minha vida? 

No caso de existirem várias interpretações, a escrita ajuda a delinear a intuição, levando para o concreto o que está no mundo das abstrações. No mundo mental, as interpretações podem soar muito bem, mas no ato de transcrever, as falhas se evidenciam. Fundamental também é sentir a energia que vibra por trás das interpretações, promovendo ligações e insights; prestar atenção nos detalhes; confrontar os opostos.

Existem 4 regras que ajudam a confirmar uma interpretação:

1- escolha uma interpretação que lhe mostre algo que você não sabia. A principal função do sonho é mostrar algo desconhecido pelo consciente. A exceção a esta regra é quando os sonhos transmitem a mesma mensagem varias vezes, mas você não entende ou não põe em prática, quando o sonho repete algo conhecido.

2- evite a interpretação que infle o ego, ou que seja auto elogiosa. Os sonhos informam os avanços na maturidade, mas não induzem a inflação do ego.

3- evite interpretações que transfiram a sua responsabilidade. O sonho não pode ser usado para culpar alguém pelo que acontece na sua vida, afinal, eles não servem para comunicar falhas de outras pessoas. O sonho pertence ao sonhador.

4- aprenda a viver com os sonhos. Use-os em longo prazo. O sonho pode ser entendido em termos específicos de eventos atuais, dos últimos dias; pode ser panorâmico e dar uma visão do interior que tem longa duração; pode interpretar algo do passado e revelar algo do futuro. Nem sempre é fácil fazer uma interpretação imediata do sonho e, quando não for possível o seu entendimento, pode-se apenas permitir conviver com ele, com toda a sua ambiguidade, tal qual o fazemos na vida física. Só o tempo dirá!

Tais sonhos vêm das fronteiras de nossa consciência. Estão ligados de alguma forma, ao futuro, cujas sementes já estão contidas em nós agora. Vamos dar a nós mesmos tempo e experiência, continuando a interagir com os símbolos, voltando ao sonho de tempos em tempos, e tudo se tornará claro.

OS RITUAIS

Requer um ato físico para afirmar a mensagem do sonho preferencialmente pequeno, simples, sutil, solitário. Uma forma de se conectar com o self interior, tal como o sonho. Ritualizar é uma forma de reverenciar esse caminho.

– simbólico (ritual): estabelece uma conexão entre consciente e inconsciente. Ao mesmo tempo em que dá vazão ao conteúdo inconsciente, movendo-o do mundo abstrato e desconhecido para a realidade empírica, percorre o caminho inverso, transmitindo ao inconsciente a mensagem poderosa que mudará os seus níveis mais profundos.

Nossa tendência (…) é tornar qualquer coisa abstrata, usar a discussão prolixa como um substitutivo para a experiência sensível, direta. (…) Temos de transformar nossas ideias teóricas em uma experiência “visceral”, ao “nível das vísceras”. As ideias e imagens dos sonhos devem entrar na nossa emoção, nas nossas fibras musculares, nas células do nosso corpo. É preciso um ato físico. Quando elas ficam registradas fisicamente, ficam também registradas nas camadas mais profundas da psique (Toni Wolffi)

– prático (alguma atitude): as atitudes no mundo externo mobilizam grande carga de energia construtiva no mundo físico/exterior, com poder de mudar as suas circunstancias existentes.

Quando concentramos uma grande quantidade de energia no mundo interior, uma energia paralela geralmente surge nas pessoas ou nas situações à nossa volta. Dessa maneira, podemos realizar curas através do nosso trabalho interior que nunca conseguiríamos através de meios exteriores.

Etapas de um sonho completo:

  1. pessoas e lugares
  2. definição do problema
  3. resposta ao problema, dentro do sonho
  4. resultado ou resolução

 

BIBLIOGRAFIA

Sonhos, fantasia e imaginação ativa: a chave do reino interior. Robert A. Johnson, São Paulo: Mercuryo, 1989.

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