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A sociedade é composta por indivíduos de todas as idades e deveria ser normal que cada um pudesse aproveitar a vida de acordo com a própria subjetividade, com decisões e possibilidades únicas, independente da idade. Porém, essa não é a realidade das pessoas velhas. Alguns comportamentos que são bem aceitos socialmente quando se trata de uma pessoa jovem, tendem a ser mal recebidos ou sequer reconhecidos como uma possibilidade para os mais velhos. Muitas vezes, esses comportamentos são julgados como “falta de educação,  coisa da idade, falta do que fazer, irresponsabilidade, pouca vergonha, uma forma de chamar a atenção”, entre muitos outros. Diversos são os exemplos: pegar ônibus pela manhã, sair com amigas e amigos, namorar, esquecer o que ia dizer ou fazer, ter vida sexual ativa, manter um estilo próprio, expressar descontentamento, praticar exercícios diariamente, fazer outra coisa ao invés de cuidar de uma criança, precisar de mais tempo para aprender algo, querer cuidar de si, ter opinião própria, etc… E isso pode ser constatado diariamente, não é preciso ir muito longe. 

Mas nem todo comportamento de uma pessoa velha é só por causa da idade (e nem precisa ser ligado somente a esse fato) e, se for, não vai acontecer igual com todas as pessoas quando elas chegarem nessa fase da vida. Porém,  muitos acreditam e dizem que a velhice é um fator limitante e, quando elas fazem algo que foge do que é aceito socialmente, se torna motivo de deboche. Socializar faz parte da vida de todo ser humano, e quando falamos de pessoas idosas, se faz ainda mais necessário, pois manter uma rede de apoio, seja formal ou informal, permite que essas pessoas desenvolvam e fortaleçam vínculos, externalizem emoções, recebam um feedback em relação ao que está acontecendo agora, se identifiquem com um grupo, criem novas possibilidades, ressignifiquem as próprias experiências e, também, se sintam responsáveis por algo e percebam que são cuidadas. Isso é cuidar da saúde mental. Isso é ser humano e aproveitar as experiências que a vida proporciona, sem se limitar com base na idade e no que a sociedade impõe. 

Por isso, deixo aqui um convite para reflexão sobre o assunto. 

Michelle Perez Alves Xavier

Psicóloga

CRP 06/129104


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