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As relações humanas em época de pandemia

“A pandemia do coronavírus nos mostra um olhar diferenciado sobre as relações, onde valorizar o cotidiano é cada vez mais importante.”

Possivelmente estamos sem abraçar alguém há dois meses e as informações que chegam referente a esse assunto, é que provavelmente teremos que acrescentar mais alguns meses sem praticar esse contato com as pessoas. Vivemos na incerteza quanto ao tempo que teremos de ficar em isolamento social, por conta da pandemia do COVID-19.

Fico pensando naquelas pessoas que moram sozinhas e assim como milhares de pessoas, não encontram os amigos, a família, não sai para trabalhar e cada dia mais, obrigatoriamente permanecem sozinhas, dia após dia. Estamos falando de um momento que muda radicalmente a vida das pessoas, antes era possível sair quando quisesse, hoje é preciso ficar dentro de casa. Com isso, os beijos, abraços, os encontros de final de semana, a festa de aniversário, tudo que antes juntava pessoas, está proibido por ordem médica e o ato de se relacionar ganhou um novo significado.

A OMS (Organização Mundial de Saúde), afirma que ficar em casa é a melhor forma de evitar que o vírus se espalhe e é possível ver alguns resultados diante dessa ação, no entanto, os dias passam e a saudade da vida que deixou de ser “vivida” aperta ainda mais, levando todos nós à refletirmos diante de algumas perguntas:

Quando isso tudo vai acabar?

Quem eu vou abraçar primeiro quando tudo isso acabar?

Como todos nós estaremos depois disso tudo?

Hoje, as relações se dão através das redes sociais e até um aperto de mão, está proibido.

Para muitos, o comportamento de ignorar algo que o incomoda é uma saída para não lidar com seus problemas, porém, o ser humano enfrenta sem querer uma grave crise sanitária e com isso fica a impossibilidade de ignorar tudo que ocorre no mundo. A chamada empatia, que antes era fácil falar, explicar e tão difícil praticar surge sem ao menos percebermos e quando notamos estamos inteiramente envolvidos na dor do outro.

Com tudo que o coronavírus está causando, é provável acontecer inúmeras mudanças e como dizia Lulu Santos, “nada do que foi, será”. Pois é, a natureza nos coloca uma condição, onde precisamos nos reinventar o tempo todo e talvez estejamos somente recebendo aquilo que demos a ela durante séculos e séculos.

Mas falar sobre o futuro é viver com a angustia de questionamentos sem respostas,  e não sabermos o que pode vir, nos leva á crer numa impossibilidade de previsão do futuro. É interessante que o ser humano cada dia mais se lança ao amanhã como forma de vida e talvez essa crise pessoal que cada um enfrenta seja á mais complexa. O amanhã é uma ilusão que temos, daquilo que não é vivido hoje.

Seja como for, hoje estamos todos na mesma barca e á ameaça da COVID-19 interfere em todo o modo de vida de todas as famílias do mundo inteiro, afetando diretamente o funcionamento das relações e econômicas da sociedade.


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Tenho refletido bastante na frase que muitas pessoas pronunciam: “Quero que tudo volte ao normal.” Mas minha reflexão maior é o quanto as pessoas entenderam a necessidade de digerir uma nova realidade.

Todos estamos sendo tocados de alguma forma por tudo isso que estamos vivendo, o que antes era “normal”, hoje já não é mais, o que antes encaixava, hoje já não encaixa mais e tudo isso nos leva a uma realidade mandatória de buscarmos viver a vida de novas formas. Podemos sim buscar uma relação com o mundo e as pessoas mais humana e saudável, mas para isso devemos refletir principalmente sobre as nossas ações, o que pensamos sobre o outro e o que fazemos com o meio em que vivemos.

Doenças do passado nos levaram a descobrir outros caminhos transformadores e hoje temos a conectividade como um ponto subjetivo, que nos obriga a entender a gravidade do COVID-19 e o instinto de sobrevivência que naturalmente são desenvolvidos. O que acontece com essa nova pandemia, é que a solidariedade nunca foi tão importante para salvar vidas num ato simples mas muito difícil de ser praticado.

O ser humano está diante de uma grande oportunidade de aprender e mudar a forma como se relaciona com as pessoas e o mundo, um nunca foi tão responsável pela vida do outro. Somos obrigados a viver de forma harmônica ou contaminamos familiares, amigos, vizinhos, amigos dos amigos, amigos dos vizinhos e por aí vai.

Me questiono se voltarmos ao que era antes será tão boa a ponto de querermos de volta o que era considerado “normal”, uma vez que falamos de uma sociedade que está diretamente ligada á inúmeras desigualdades de todo tipo. Penso que poderia ser fácil encontar a cura para o coronavírus, mas antes precisávamos ter o mínimo de sociedade pronta e não continuar lutando por desigualdades que duram desde que o mundo o é mundo, ou seja, já passamos da hora de aprender a respeitar as diferenças.

Ao pensar as pandemias, geralmente as pessoas se referem aos ambientes em que as pessoas estão e as doenças são relacionadas aos problemas étnico-raciais. Fica mais fácil tirar a responsabilidade do estado e reconhecer a omissão dos governantes diante dessa problemática e assim o ebola é culpa do africano e a zica é culpa de nordestino a AIDS é coisa de gay.

Os meios virtuais como fonte principal de interação

Acho muito difícil voltarmos ao “normal” de antes, vejo sim algumas mudanças positivas para as relações humanas, mas ainda é difícil saber se isso é uma mudança efetiva ou temporária durante a pandemia. Mas hoje, vejo pessoas preocupadas com a dor do outro, com a morte do familiar de alguém que ela nem conhece.

Essa empatia que muitos estão sentindo e praticando, nos leva a pensar que o que outro vive hoje, pode também ser a sua dor própria em algum momento. Por isso, a necessidade de conexão é grande e as redes sociais tem nos oferecido uma oportunidade enorme de “visitarmos” as pessoas que fazem parte das nossas vidas. Cada dias mais lives, cada dia mais stories e chamadas de vídeos tb fazem parte de uma ação que buscamos para amenizar a lacuna que a saudade causa em nós.

As novas relações afeta todas as pessoas de todas as idades, principal os mais jovens que passam grande parte de sua vida “mergulhados” nas redes sociais. À poucos dias ouvi de um jovem que tem feito reflexões profundas nesse período de isolamento, sobre tudo que foi vivido por ele sem a devida atenção e agora sente o peso da falta.

A rotina de antes foi quebrada por um acontecimento crítico e agora cada pessoa terá de reinventar uma nova estrada para sua vida. Os reflexos do isolamento bateram de forma parecida nas pessoas. Muitas se questionam o tempo todo sobre a sua vida, sua existência e obrigatoriamente foram levadas a refletir a sua vida, suas escolhas e consequências.

A verdade é que fomos tocados por esse turbilhão de acontecimentos, mas ainda sim podemos escolher entre ser afetado por tudo isso ou aproveitar isso tudo para novas escolhas e novos caminhos.

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