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Adolescência: o que pode ser bom ou ruim nesta fase (Parte 1).

​Recebi a seguinte questão: “Como você reagiria se sua filha adolescente engravidasse?” considerei pertinente compartilhar minha resposta, como segue abaixo:

Em primeiro lugar, aprendi por meio das pesquisas sobre o tema da gravidez durante a adolescência e depois de alguns anos atendendo meninas que engravidaram nesta faixa etária, além de exemplos próximos em nosso cotidiano os quais apenas observei que, não necessariamente, este é um fenômeno ruim ou bom em si apenas.

A temática me é bastante cara pois, em um dos artigos que resultaram da minha dissertação de mestrado, apontamos sobre os problemas emocionais e de comportamento em adolescentes grávidas entre uma amostra atendida em serviço público de saúde.

Particularmente, caso uma notícia desta a respeito de minha filha ainda me chegasse causando surpresa, no mínimo, eu seria obrigado a admitir que algo não estava exatamente como eu esperava já algum tempo. Isto se eu também viesse a analisar o contexto e chegasse à conclusão de que seria uma situação desfavorável para o desenvolvimento de minha filha e família. Pois, como acredito e tenho escrito, as mudanças em uma família não acontecem da noite para o dia e envolvem todos os seus membros.

Enfim, eu trabalharia para cumprir com as tarefas necessárias em uma transição do ciclo vital da minha família que, do previsível que poderia ser a chegada do(a) primeiro(a) filho(a) e neto(a), passou a um evento imprevisível, como denominam Carter e McGoldrick (1995). Isto implica em mudanças de papéis e funções no sistema familiar, não apenas para a jovem que se torna mãe, mas para nós como avós, os que se tornam tios, primos… Cada um na sua medida, nem mais, nem menos.

O agravante, como penso ter sido um dos principais apontamentos na minha dissertação, é que três sistemas familiares inteiros passariam a viver, no mínimo, três momentos estressantes de mudanças intensas. Referimo-nos na ocasião em relação às famílias do pai da criança, da adolescente e ainda de uma possível família em formação que seria a que o próprio casal que gerou a criança pode ou não formar. São tarefas da fase da adolescência, fase adulta dos filhos, relação conjugal (ou não), do nascimento de uma criança e outros papéis, todas com suas particularidades e exigências inevitáveis.

Com tudo, haveria um acúmulo de estresse para todos os membros. Não haveria como cumprir apenas um papel e conjunto de funções para cada pessoa. Uma postura contrária a isto seria simplista e, ao invés de solucionar problemas mais rapidamente e do melhor modo, iria apenas agravar a própria vida do familiar que considerasse a situação de maneira unilateral. Não há escapatória, a situação requer muita atenção e competências que, se não foram desenvolvidas ainda, terão que ser!

O mais paradoxal que considero nisso tudo é que, para um grande número de adolescentes que engravidam no Brasil, a situação de suas vidas é tão ruim em vários aspectos sociais, econômicos e culturais que, por mais estressante que possa ser lidar com uma mudança tão intensa, tal fenômeno costuma até mesmo livrar as jovens do cenário catastrófico em que viviam para lançá-las, obrigatoriamente, em um universo de responsabilidades e cotidiano protetivo para seu desenvolvimento. Concordem ou não, este é o Brasil que “precisa ser estudado”!

Luis Antonio Silva Bernardo

Psicólogo CRP 19/004142

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