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Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Eu adoro ser mulher. E adoro ser psicóloga. Ainda que não esteja plenamente realizada em ambas “funções”. Digo isso porque quando falo em ser mulher e ser psicóloga, algumas das expectativas e também das frustrações se encontram. Pelo menos no meu caso.
Um exemplo foi ter que crescer e ver que ser mulher vai muito além do que eu imaginava quando era criança. Ter que se reafirmar quase que o tempo todo, provar que você também pode, que também é forte. Tem aquele risco de querer tanto ser mais e fazer mais, que você acredita que nunca é suficiente, que não é boa o bastante. E sobre o mercado de trabalho, ainda que ele e a sociedade tenham mudado, há muito que buscarmos e ainda é difícil nos afirmarmos em alguns momentos da vida, perante algumas situações. Tem muito mesmo o que ser feito!

Bem, e sobre ser psicóloga confesso que também não é tão fácil como imaginei (ou como fantasiei), especialmente no início. Tem a ver com o “reafirmar-se”, mas também é o “reinventar-se” todo o tempo. Fora que a psicologia no Brasil ainda é uma profissão predominantemente feminina, além de ser uma profissão relativamente nova, então são duas causas pelas quais temos que lutar e defender.

E vem o ponto em que as funções são agora uma só: mulher e psicóloga.
Como acredito que só citei “as dores” até agora, acho que é bem aqui que posso falar “das delícias”.

Conversei com muitas psicólogas nos últimos dias a respeito deste assunto. Sem estereótipos ou generalizações, nós sabemos das peculiaridades entre o feminino e o masculino com base em todas as teorias psicológicas que estudamos durante a faculdade e demais especializações, mas a característica mais recorrente destas mulheres ao falarem da psicologia como profissão foi a sensibilidade. Sensibilidade não no sentido de fragilidade, mas no sentido de perceber o outro em seus aspectos mais íntimos e mais delicados. No sentido de tocar e sentir-se tocada pelo outro. É claro que os homens, sobretudo no papel de psicólogos, também são plenamente aptos a demonstrarem essa sensibilidade, o que é da mesma forma admirável. Mas o que as psicólogas com quem conversei me mostraram como algo fantástico é o fato de elas perceberem tão bem essa habilidade em si mesmas, valorizando perfeitamente este aspecto. Outro ponto foi justamente o “reinventar-se” que já citei em outro momento do texto. Acredito que na Psicologia seja mesmo necessário reinventar-se sempre. Tentar de novo, respirar fundo depois que um resultado não foi o que se esperava, pensar em novas estratégias, desfazer-se de seus padrões internos, assumir novos papéis… Acho tão linda a excelência da mulher ao fazer tudo isso!
Se alguém decide ser psicólogo ou psicóloga, precisa escolher a Psicologia. Escolher mesmo, todos os dias. Lutar por ela, renovar essa escolha.

Concluo que há muito mais “delícias” do que “dores” nessa complexa e perfeita combinação entre o ser mulher e ser psicóloga. E continuo confiando que a Psicologia é um belo caminho para nos ajudar em muitos avanços.

Obs: Este texto foi escrito em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Parabéns a todas!!

Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

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